Perigo à mesa

 

 

 

 Lindanor Santana dá dicas de como evitar a intoxicação alimentar

 

 

 

Riscos à mesa são mais comuns do que se imaginam nas casas das famílias brasileiras, sobretudo por maus hábitos que facilitam a proliferação de microorganismos patogênicos. Eles estão nas carnes, nos ovos, nos peixes e até na saladinha. Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, mais de 117 mil brasileiros adoeceram e 64 morreram entre 1999 e agosto de 2008 por intoxicação alimentar. Os ovos crus ou mal cozidos ocupam o topo da lista do ministério e foram responsáveis por 22,8% dos 3.984 surtos de origem conhecida no período.

De acordo com a nutricionista conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 5ª região (Bahia e Sergipe), Lindanor Santana, as temperaturas mais elevadas do verão, quando associadas a outros fatores, como a higiene inadequada, criam condições propícias para a multiplicação de agentes causadores da contaminação dos alimentos.

“Muitos agentes patogênicos se multiplicam no alimento sem deixar sinais da sua presença, ou seja, não alteram cor, odor e sabor. Por isso, são um perigo em potencial para a infecção (ingestão de alimentos contaminados que contenham microrganismos patogênicos), intoxicação (ingestão de toxinas) e toxinfecção (ingestão de um conjunto de microrganismos e suas toxinas produzidas no alimento) para quem o consome”, esclarece Lindador. Em todos os casos, deve-se procurar o serviço de saúde para identificar o agente causador da doença e proceder o tratamento adequado.

Os alimentos de rua, como o famoso cachorro-quente, sempre recheado de maionese, além de queijo coalho, amendoins cozidos, salgados, entre outros encontrados nas ruas, “representam um risco eminente de veiculação de doenças para a saúde pública, uma vez que raramente são conservados em condições adequadas pelos ambulantes. Não se conhece as condições de higiene durante a preparação destes alimentos, antes da exposição no ponto de venda”, observa a conselheira do CRN-5.

Para aqueles que pretendem curtir o imenso litoral brasileiro neste verão, é preciso tomar cuidado com os alimentos ingeridos.  “Os frutos do mar não devem ser consumidos crus. A preferência dever ser por alimentos cozidos, assados ou fritos e que, de preferência, estejam ainda bem quentes. Neste período, para garantir a integridade física, o ideal é selecionar alimentos “leves” acompanhados de muitas frutas, verduras, legumes e hortaliças, higienicamente preparados”, conclui.

Dicas

- Lave as mãos cuidadosamente, incluindo dorso, entre os dedos, polegar, articulações, punhos e unhas.

- Se tiver cortes ou ferimentos, não manipule alimentos; se não tiver alternativa, faça um curativo.

- Animais carregam microrganismos e devem ficar longe da cozinha.

- Seque as mãos com papel toalha; o pano de prato acumula muitos microrganismos.

- Unhas devem ser mantidas limpas, aparadas e sem esmalte.

- Use touca ou prenda os cabelos.

- Evite adornos como pulseiras, brincos e anéis, que acumulam sujeira e podem soltar peças.

- Utilize diferentes utensílios para manusear alimentos crus e cozidos.

- Troque o pano de prato assim que estiver molhado.

- Evite falar, cantar, tossir, espirrar ou fumar enquanto manipula alimentos.

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